Tudo o que o passado nos deu é hoje aquilo que nos fez. O futuro é o que fazemos agora, e a impossibilidade de nos desvanecermos, num fumo branco, numa praia meiga, entre marés de promessas imperfeitas; faz-nos caminhar dentro dos túneis
que constroem o próprio tempo.
Tunéis infinitos? Talvez imperfeitos. Remendados aqui e além, numa constante necessidade de remendar o tecido descosido do dia presente. Aquele dia. Naquele dia. Naquele dia que tingiste uma promessa na fonte dos afazeres quotidianos, neste dia que agarras na mão e metes no bolso as decisões importantes. Um dia mandado às couves, um dia invasor, um dia vazio, um dia feliz.
na impossibilidade de deixar de ser, fico apenas ausente e peço que me deitem leite na cama para purificar os sentidos, para perceber que pode, enfim, talvez, existir a possibilidade de nascer outra vez.